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quinta-feira, 5 de março de 2015

PROFESSOR E ECONOMISTA BELLUZZO ! BRILHANTE ! SIMPLES ! HONESTO !

"Quem quer jogar toda uma empresa no lixo 


faz isso porque quer comprar mais barato"

Parabéns a Luiz Gonzaga Belluzzo e a Rádio Rede Brasil Atual !

CAMPANHA CONTRA

'Não se mistura patifarias com a importância da Petrobras', diz Belluzzo

Para o economista é preciso apurar, julgar e condenar responsáveis por corrupção, mas é essencial preservar a empresa e o patrimônio público de todos os brasileiros
por Redação RBA publicado 24/02/2015 11:50, última modificação 24/02/2015 11:58
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TVT / REPRODUÇÃO / ARQUIVO RBA
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São Paulo – Em entrevista à Rádio Rede Brasil Atual hoje (24), o economista Luiz Gonzaga Belluzzo ressaltou que a Petrobras é um bem público e uma empresa altamente promissora em função da investimento emtecnologias inovadoras e na exploração do pré-sal, e deve ser preservada do interesse de grupos políticos de todo o mundo que veem na série de denúncias sobre corrupção dentro da empresa a possibilidade de negócios e oportunidades e que não interessam ao capital nacional.
"Não podemos por uma razão justa, que é a de punir quem comete os chamados crimes de colarinho branco, culpar uma empresa inteira", diz Belluzzo. "É tão elementar que não se pode misturar as duas coisas, que ainda me espanta essa combinação de interesses pouco explicados. Quem quer jogar toda uma empresa no lixo faz isso porque quer comprar mais barato."
Sobre a cobertura do caso feita pela imprensa e mídia tradicional, o economista disse considerar que há desrespeito com a informação e com o interesse público desta informação. "Fico espantado em ver a cobertura da grande imprensa sobre este caso, como é parcial, distorcida, infame mesmo. Ver o desrespeito que esses órgãos têm com a sagrada liberdade de informação. Sempre fui contra o controle social da mídia, mas o que vemos é uma seleção dos assuntos movidos por interesses particulares."
Ouça na íntegra a entrevista concedida pelo economista à Rádio Rede Brasil Atual:

domingo, 1 de março de 2015

A DISPONIBILIDADE DE ENERGIA FÓSSIL EXPLICA O MUNDO EM 2015


Gás e petróleo estão por trás dos conflitos na Ucrânia e Iraque

Operário fecha válvula de gás em Striy, no Oeste da Ucrânia. Maio 2014
Operário fecha válvula de gás em Striy, no Oeste da Ucrânia. Maio 2014
REUTERS/Gleb Garanich/Files
Alfredo Valladão
Não tem jeito: vira e mexe, e os conflitos mais importantes no mundo têm um cheiro inconfundível de gás e de petróleo. A questão do acesso a reservas e do fornecimento de hidrocarbonetos paira em torno das crises na Ucrânia ou no Iraque. Claro, não é a única razão. Na Ucrânia, Putin quer deixar claro que a Rússia está voltando a ser uma grande potência e que ela tem todo o direito de definir o futuro dos Estados vizinhos. Enquanto que no Iraque a briga é entre o Irã e a Arábia Saudita. Cada um tentando controlar o governo de Bagdá nessa guerra secular entre xiitas e sunitas. E em cada um desses teatros estratégicos, o objetivo é tentar acabar com a influência dos Estados Unidos. Tirar os americanos da jogada para poder se digladiar em paz com as potências vizinhas.
 
Cortar o gás da Ucrânia é uma ameaça aos consumidores europeus
Mas apesar destes vários motivos geopolíticos clássicos, gás e petróleo continuam fundamentais. Dois fatos novos estão transformando a equação energética do planeta. O primeiro é o estouro da produção de gás e petróleo de xisto nos Estados Unidos. Os americanos, em pouquíssimo tempo, estão se tornando os maiores produtores do mundo e vão até começar a exportar. O segundo foi a anexação da Crimeia pela Rússia e agora a chantagem de Moscou que decidiu cortar o fornecimento de gás para a Ucrânia que recusa ter que pagar para a Gazprom uma quantia absolutamente absurda que quebraria a economia ucraniana e colocaria o país nas mãos do Kremlin. Essas manobras russas ascenderam uma luz vermelha na Europa que importa da Rússia mais de 30% do seu consumo de gás. Cortar o fornecimento que passa pelo gasoduto que atravessa a Ucrânia, como a Rússia já o fez em 2006 e 2009, é uma ameaça direta para os consumidores europeus. Pela primeira vez os dirigentes europeus estão pensando seriamente na maneira de diminuir drasticamente a dependência com relação ao gás russo. Daí a idéia de que o gás de xisto americano, bem mais barato, poderia um dia substituir parte das importações que vem da Rússia. E daí também, a corrida de Putin para assinar um acordo de exportação com a China para mostrar aos europeus que ele tem uma alternativa.
Queda do preço do petróleo seria uma catástrofe para Putin
Tudo isso são jogos geopolíticos clássicos. Mas na verdade, para a Rússia, são as exportações de petróleo que mantêm o orçamento do país. Mas para isso o barril não pode baixar além dos 100 dólares, senão as contas não fecham. Uma queda dos preços seria uma catástrofe para as ambições de Putin e é uma arma nas mãos de Washington. A produção crescente de hidrocarbonetos nos Estados Unidos e em toda a área atlântica em geral – no Brasil, na Argentina, nas costas africanas e no México – além dos renováveis cada vez mais baratos e no pulo que vêm dando as tecnologias para economizar energia, vai começar a pressionar para baixo os preços mundiais. O mercado está se dividindo em dois sistemas. Os fornecedores atlânticos abastecendo as duas maiores economias do mundo (Europa e Estados Unidos) e os produtores do Oriente Médio vendendo para o Japão, a China e a Ásia emergente. A Rússia, no meio, pode perder muito com isso.
A chave dos preços da energia continua sendo o Oriente Médio com as suas reservas fabulosas. E aí entra a crise iraquiana. A Arábia Saudita também não tem interesse numa queda dos preços. Enquanto houver caos no Iraque, o imenso potencial de produção iraquiano não virá inundar o mercado. E também complica uma solução rápida da questão nuclear iraniana, o que traria de volta ao mercado as grandes reservas iranianas. Não é por nada que fundações sauditas dão dinheiro para grupos islamistas radicais sunitas e que Riad quer ver um governo de união nacional em Bagdá para contrabalançar a influência xiita do Irã. A Rússia também está colocando lenha na fogueira, jogando uns contra outros com armas e apoios políticos. Enquanto os americanos pensam em cooperar com o Irã para salvar a integridade do Iraque e uma farta produção de petróleo. Essa explosão geral na região e a guerra interna na Ucrânia vão determinar a nova geografia mundial do petróleo.

2015: O risco global estará na Ucrânia


J. CARLOS DE ASSIS |
Os Estados Unidos do Prêmio Nobel da Paz, Barak Obama, empreendem uma guerra virtual contra a Rússia e preparam obstinadamente uma guerra real para ser travada em território ucraniano.
Não importa a inviabilidade dessa aventura militar, do ponto de vista estratégico.
O objetivo não é controlar o território ucraniano e “salvá-lo para a democracia”, mas esgotar em combate o poderio russo mediante seu estrangulamento econômico e militar numa guerra convencional em terceiro país.
É que nem os lunáticos neoconservadores instalados no Pentágono, no Departamento de Estado e no Conselho de Segurança Nacional proporiam um ataque direto à nação russa, dada sua condição de potência nuclear de primeira linha.
A estratégia central norte-americana é afirmar sua hegemonia mundial a partir da força.
É-lhe intolerável a realidade de um mundo apolar ou multipolar em face da presença de um competidor nuclear como a Rússia e de uma potência econômica ascendente como a China, também ameaçadora, a médio prazo,  no campo militar.
Para os neoconservadores, a hora de agir é agora, antes que essas forças rivais criem raízes mais profundas.
O pretexto ucraniano vem a calhar. Depois de derrubar um governo legítimo e colocar em seu lugar um bando de facínoras, o próximo passo é a incorporação da Ucrânia à OTAN, em aberto desafio à Rússia.
Só com muito sangue frio Putin poderá contornar mais essa provocação no quintal da Rússia.
É muito fácil começar uma guerra de grandes proporções na terra dos outros,  sobretudo quando se tem a ilusão de um poder assimétrico em relação ao adversário e mesmo quando não se tem certeza quanto aos efeitos.
É que, uma vez instalado o caos que se segue a uma guerra, não basta ter imensa superioridade militar para controlar suas consequências.
Os Estados Unidos são peritos em começar guerras inacabadas: foi assim na Coreia, no Vietnã, no Iraque, no Afeganistão; mais recentemente insuflaram revoluções no norte da África, que resultaram em dramática carnificina e permanente instabilidade na Líbia e no Egito.
Entretanto, quando se trata de conseguir a paz, os Estados Unidos lavam as mãos. Os outros  que cuidem do estrago que provocam, como no Haiti e no Iraque.
É muito fácil entender a estratégia dos chamados neoconservadores americanos que acabaram de colocar agora um representante na principal cadeira no Departamento de Defesa.
Querem repetir o processo que levou à exaustão a antiga União Soviética.
Dado que Estados Unidos e Rússia estão em virtual paridade nuclear, a solução é levar a Rússia à capitulação através de uma guerra convencional, não em território russo, que arriscaria uma guerra nuclear, mas no território de um terceiro país. Nada melhor, pois, que a Ucrânia.
O objetivo dos neoconservadores é tentar repetir uma estratégia que, embora tendo dado certo na liquidação da União Soviética, não liquidou o Estado russo que estava em seu coração.
O Estado socialista desmoronou, mas a nação russa, mesmo ferida, continuou de pé. Putin tratou de recuperá-la por inteiro colocando-a na condição de um estorvo nuclear que limita a vontade de poder ilimitada de Washington.
A intenção norte-americana de atacar o governo sírio esbarrou efetivamente no veto russo e chinês.
Isso, claramente, expôs a impossibilidade prática do exercício de um poder hegemônico na era nuclear partilhada. Transformado num boneco operado pelos neoconservadores, Obama resolveu “estrangular” a Rússia com embargos econômicos.
PERIGO PRESENTE
Recordemos os passos que levaram à extinção da União Soviética a fim de examinarmos os paralelos atuais.
Em meados dos anos 70, foi refundada em Washington por influência do então diretor da CIA, George Bush pai, a ONG denominada “Comitee on the present danger”, ou Comitê para o Perigo Presente (CPD).
Tinha como principal objetivo estatutário “levar a União Soviética à rendição, se necessário por meios militares”.
Do Comitê faziam parte 60 personalidades notáveis do círculo conservador norte-americano, sendo que o futuro Presidente Ronald Reagan filiou-se à ela pouco antes de eleger-se em 1979.
Como Presidente, levou a posições de alto destaque no Departamento de Defesa, no Departamento de Estado e no Conselho de Segurança Nacional 33 integrantes do Comitê.
Em 1985, quando estive na Alemanha para cobrir a reunião dos Sete Grandes, andava por lá o chefe do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Richard Perle, membro do CPD, fazendo conferências sobre o conceito subjacente ao programa de escudo nuclear, então conhecido como Guerra nas Estrelas, que se baseava no princípio de “guerra nuclear protegida”.
Perguntei aos alemães o que achavam daquilo, pois a guerra nuclear “protegida” no contexto de Guerra nas Estrelas implicava a proteção nuclear do território norte-americano, mas não do europeu.
Os alemães com quem conversei estavam perplexos. Imagino que estejam perplexos de novo com a marcha forçada pela guerra em território da Ucrânia, que os expõe diretamente às forças militares russas convencionais em seu próprio território.
É importante assinalar que não se tratava apenas de retórica. Diretivas presidenciais de Reagan, na virada do primeiro para o segundo mandato, introduziram mudanças cruciais nos programas de computador que põem em posição de ataque os três sistemas estratégicos baseados em terra, mar e ar das forças nucleares norte-americanas.
Através de vazamentos de imprensa, soube-se de mudanças fundamentais  no SIOP (Single Integrated Operational Program, ou Programa Operacional Integrado Único), a parafernália eletrônica capaz de desencadear uma guerra nuclear contra a então União Soviética a partir do teatro europeu.
A principal alteração no SIOP, de acordo com os fragmentos de diretivas presidenciais secretas, recolhidos e reconstituídos por um cientista canadense, F. Knelman (em “America, God and the Bomb”), consistiu em recuar para oito minutos, pelo princípio do prêmio por resposta rápida, o início de um ataque nuclear total à União Soviética a partir do primeiro alarme.
Não se tratava de uma questão acadêmica.
Como um hipotético míssil soviético em cruzeiro levaria 36 minutos para mergulhar em território nacional norte-americano (trata-se de míssil disparado de terra: não se menciona a frota indetectável de submarinos nucleares, por expediente elusivo de convencimento), o programa Guerra nas Estrelas só se justifica se houver uma capacidade efetiva de interceptá-lo no meio da trajetória, isto é, no mínimo 18 minutos depois do disparo.
O mesmo tempo é o que levaria um míssil americano disparado de terra para alcançar o míssil hostil na estratosfera. Entretanto, seria necessário um sistema de detecção instantânea do início do ataque.
Para qualquer efeito prático, não há possibilidade de alcançar o míssil antes que cruze o ponto médio da trajetória, a não ser de uma base em órbita.
O programa Guerra nas Estrelas pretendia pôr bases em órbita, mas até lá seria necessário contar com a boa vontade dos estrategistas soviéticos para não atacarem primeiro.
Por isso reduziram o tempo de resposta do SIOP a oito minutos, pelo que ficou limitado a um nível de redundância o processo de checagem para confirmar se um disparo captado na tela de controle eletrônico era um disparo real.
Com isso ficamos todos expostos à possibilidade de uma guerra nuclear casual na medida em que o SIOP reagiria automaticamente a uma checagem errada sem tempo de consulta para resposta ao falso ataque do Presidente da República.
 SEM MEDO DE RETALIAÇÃO
O primeiro passo para implementar Guerra nas Estrelas era ignorar o tratado SALT II, que vedava a construção de sistemas antibalísticos por parte de EUA e União Soviética.
A lógica do SALT II, jamais aprovado pelo Senado norte-americano mas até então respeitado pelo Executivo, era simples: a dissuasão nuclear só se efetiva na base da autodestruição assegurada por quem iniciar uma guerra nuclear.
Se um dos lados conseguir construir um sistema operacional que efetivamente proteja seu território de um contra-ataque nuclear, ele estará livre para desencadear um primeiro ataque sem medo de retaliação.
Cientistas de todo mundo, inclusive americanos, questionaram as bases técnicas de Guerra nas Estrelas, mas Reagan, a fim de esgotar a União Soviética numa corrida tecnológica para construir seu próprio escudo, levou Gorbachev a uma posição insustentável por falta de condições econômicas e técnicas para isso.
Foi a combinação de pressão tecnológica, econômica e política norte-americana que levou a União Soviética à autodestruição.
É este mesmo caminho que está sendo seguido agora para levar a Rússia à exaustão econômica e à rendição política. Não se trata de teoria conspiratória.
Os norte-americanos, conscientes de sua superioridade militar e econômica, nunca escondem suas reais intenções.
Seus movimentos são explícitos e claramente apresentados em documentos estratégicos públicos.
Assim, eis como a intenção de eliminar qualquer possibilidade de “um novo rival” era colocada em 1992, imediatamente depois da derrota da União Soviética, pelo neoconservador Paul Wolfowitz, do CPD, então Subsecretário da Defesa, no Manual de Planejamento de Defesa:
“Nosso primeiro objetivo é prevenir a re-emergência de um novo rival, seja no território da antiga União Soviética seja em outro lugar, que coloque uma ameaça do tipo que foi colocado pela antiga União Soviética. Isso é uma consideração dominante sublinhando a nova estratégia de defesa regional e requer que previnamos qualquer  tentativa de um poder hostil de dominar uma região cujos recursos poderiam, sob controle consolidado, ser suficiente para gerar poder global.”
Essa linha estratégica está sendo trilhada religiosamente no sentido de evitar que a Rússia seja um embaraço para a hegemonia militar absoluta norte-americana, contornando a realidade elidida da virtual paridade nuclear.
O SALT II foi revogado,  unilateralmente, pelos EUA. Eles se recusam, por outro lado, a fazer um tratado de desmilitarização do espaço.  Assim, é necessário recuar à geopolítica anterior à Guerra Fria para entender os movimentos americanos.
De fato, há uma década e meia a possibilidade real de uma guerra na Ucrânia está sendo preparada metodicamente pela OTAN, que agora mesmo acaba de decidir aumentar o comprometimento de orçamento militar de seus membros (2% do PIB) por pressão americana.
Desde 1999 que a Organização avança para o Leste. Naquele ano, incluiu a República Checa, a Hungria e a Polônia.
Uma segunda expansão se deu em 2004, incluindo Bulgária, Estônia, Latvia, Lituânia, România, Eslováquia e Eslovênia.  Com isso, quase metade dos países atualmente membros da OTAN foram incorporados, rumo ao Leste, depois do fim da URSS.
HOSTILIDADE NO QUINTAL
Paralelamente expandia-se para Leste a União Europeia, cujo último movimento seria a tentativa de tomada de posse da Ucrânia.
E só não houve a efetiva incorporação da Ucrânia e da Geórgia, formalmente sinalizada na cúpula de Bucareste em 2008, porque dessa vez Putin reagiu pela força, pois se tratava, a seu ver, de colocar uma fortaleza militar hostil no quintal de seu país.
O cerco militar à Rússia segue uma tríplice estratégia: alargamento da OTAN, expansão da União Europeia e promoção da “democracia”, obviamente desconsiderando o risco de uma guerra aberta.
Diante do baile estratégico que foi a absorção da Crimeia pela Rússia, com apoio esmagador da população da península, os Estados Unidos se movem na direção da guerra através inicialmente de sanções econômicas, a partir de uma posição forte, recém-conquistada, no campo da energia.
Contudo, não nos iludamos. Uma guerra convencional seria de alto interesse norte-americano, desde que ela pudesse esgotar a capacidade militar e econômica russa sem o risco de escalar para uma guerra nuclear.
É com essa possibilidade que os neoconservadores contam para iniciar a guerra.
Sabemos, por outro lado, pela experiência histórica, que os Estados Unidos não se preocupam muito em como acabar com guerras. Para eles trata-se de um jogo estratégico para assegurar a afirmação da hegemonia mundial.
Por isso, no momento, a única força capaz de parar a máquina de guerra americana é o povo dos Estados Unidos, tocado pela consciência de solidariedade com os bilhões de inocentes do mundo, e eles próprios, que sofreriam as consequência de uma guerra proto-nuclear.
É necessário que os inocentes rompam com a passividade, falem e votem. De fato, os Estados Unidos podem esgotar as forças econômicas e militares dos russos numa guerra em território de terceiro.
Mas o que acontece com uma potência derrotada, humilhada, sitiada, e não obstante de posse de um imenso arsenal nuclear?
Aos que consideram essa análise exagerada peço que leiam “Foreign Affairs”, uma das mais prestigiosas revistas do estabelecimento norte-americano, em detalhados e esclarecedores artigos sobre a “crise” na Ucrânia, na edição de setembro último.
Um deles diz claramente: “a crise na Ucrânia é nossa culpa”, referindo-se aos Estados Unidos. No corpo da matéria vem a narrativa da marcha da OTAN para Leste, em confronto direto com entendimentos anteriores com os russos e sob constantes protestos destes.
Ali também se encontra o relato do caos planejado pelo Departamento de Estado e ONGs patrocinadas pelo Governo norte-americano para derrubar o governo legítimo pró-russo de Kiev, colocando em seu lugar um governo que tem pelo menos quatro membros proeminentes neofacistas.
Ainda em termos de medidas provocativas contra a Rússia, destaca-se a monstruosa derrubada do avião comercial MH 17 sobre o Leste da Ucrânia, um típico atentado terrorista que os Estados Unidos pretenderam atribuir a forças pró-russas.
Falso. O avião, de que já não se fala mais, foi derrubado por forças do governo de Kiev, conforme denunciou o presidente russo Vladmir Putin, numa reunião internacional, com base em investigações independentes, e com praticamente nula repercussão no Ocidente.
O ânimo dos neoconservadores  norte-americanos para o confronto global com os russos, a partir da economia, ganhou força com a revolução energética representada pela exploração de gás de xisto nos Estados Unidos através de uma das mais criminosas tecnologias do ponto de vista ambiental, o fracting.
O sucesso comercial do empreendimento, com rápida expansão de produção de gás e petróleo de xisto, possibilitou atacar o principal pilar da economia russa, grande produtora e exportadora de petróleo e gás, e, simultaneamente, “tranquilizar” os europeus quanto à possibilidade de cessação de suprimento de gás russo à Europa, o qual seria substituído pelo norte-americano.
Não se sabe se os sauditas entraram nesse jogo por razões geopolíticas, evitando reduzir a produção de petróleo para prejudicar os russos, ou por suas próprias razões de tentar inviabilizar economicamente a produção de hidrocarbonetos por fracting.
O fato é que também grandes empresas norte-americanas, que investiram pesadamente no petróleo e gás de xisto, estão tendo pesados prejuízos com a redução do preço do petróleo, que agrada mesmo só ao consumidor.
Por outro lado, as promessas supostamente infinitas do fracting  se revelaram surpreendentemente  limitadas nos últimos meses:  em Monterey, na Califórnia, reservas de petróleo de xisto antes avaliadas em 13,7 bilhões de      barris foram reavaliadas oficialmente para 600 milhões, ou 96% menos.
Além disso, a opinião pública norte-americana começa a ser mover contra o fracting: segundo uma pesquisa de opinião recente, em 2008, 48% a 38% dos norte-americanos apoiavam essa tecnologia; em novembro último, 47% a 41% se manifestaram contra.
Isso certamente reflete a comprovação inequívoca da destruição ambiental, sobretudo de aquíferos, que essa tecnologia suja provoca no meio ambiente de forma irreversível.
Enquanto o mercado de hidrocarbonetos não sofrer nova reviravolta, refletindo o fracasso da Califórnia, a Rússia, sem dúvida, será penalizada pela estratégia norte-americana de seu estrangulamento econômico.
Putin, com sua frieza característica, ponderou que a Rússia é um país autossuficiente e, de qualquer modo, tem meios de retaliação – imaginando certamente um embargo na exportação de gás para a Europa.
Uma importante ficha para a Rússia é certamente a China, que já lhe garantiu um contrato de fornecimento de gás por 20 anos no montante de 400 bilhões de dólares, e que tem se alinhado com ela em questões geopolíticas, como no caso da Síria.
Contudo, estamos claramente diante de uma escalada.
O novo passo estimulado pelos EUA foi a recente decisão do Parlamento da Ucrânia de renegar sua neutralidade.
Note-se que o próprio Kissinger, num artigo recente, assinalou que a solução definitiva para a crise ucraniana, de uma forma aceitável pela Rússia, seria transformar a Ucrânia num país neutro entre a União Europeia/OTAN e a Rússia, como aconteceu com a Finlândia na Guerra Fria.
Contudo, Kissinger é um velho conservador lúcido, não um neoconservador alucinado. Os EUA, sob controle destes, indicam que não aceitarão perder mais essa oportunidade de guerra. Tudo indica que forçarão a Rússia a aceitá-la.
Com a integração da Ucrânia na OTAN, numa iniciativa indiferente aos milhões de russos e russófilos no Leste do país, a aliança militar ocidental estaria nas costas da Rússia, o que significa ameaça direta a seu território.
O mínimo que a Rússia buscaria seria retalhar a Ucrânia com apoio local, o que de uma certa forma foi ensaiado na Crimeia. Seria então uma guerra global em território ucraniano?
E nós, que temos a ver com tudo isso?
Os inocentes entre nós acham que os neoconservadores norte-americanos veem com muita naturalidade nossa aproximação, via BRICS, com sua arqui-inimiga Rússia.
Acreditam que a gravação das conversas da Presidenta foi mero divertimento. Acham que as tentativas de desestabilização do legítimo Governo brasileiro atual, assim como o reeleito, são fenômenos exclusivamente internos, ou resultantes dos impulsos éticos de alguns tribunais.
Pelo fato de termos passado à margem de guerras, e estarmos no centro de um continente  peculiarmente pacífico, nos acostumamos a não pensar geopoliticamente – mesmo porque, na era nuclear, a geopolítica devia estar definitivamente fora de moda.
Contudo, querendo ou não, estamos no jogo. Se o preço do petróleo cair abaixo de 40 dólares o barril, a exploração do pré-sal estará inviabilizada. Se os Estados Unidos fizeram a guerra contra a Rússia em território ucraniano, teremos de fazer difíceis escolhas.
Carlos de Assis – Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB (transcrito do 247)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

DEFENDER A PETROBRAS E A DEMOCRACIA SEM PARTIDARISMO OU POLITICAGEM É O DEVER DE TODO BRASILEIRO DIGNO, NÃO VENDIDO A INTERESSES ESTRANGEIROS E NÃO ENGANADO POR UMA MÍDIA APÁTRIDA E ANTI-NACIONAL !

Intelectuais denunciam golpe contra Petrobras em manifesto

Nomes de peso assinam o documento como Konder Comparato e Marilena Chauí

Documento assinado por nomes de peso do país, como Fabio Konder Comparato, Marilena Chauí, Cândido Mendes, Celso Amorim, João Pedro Stédile, Leonardo Boff, Luiz Pinguelli Rosa e Maria da Conceição Tavares, alerta para a tentativa de destruição da Petrobras e de seus fornecedores. Eles propõem um pacto pela democracia, e denunciam a intenção de mudança do modelo que rege a exploração de petróleo no Brasil.
"Com efeito, há uma campanha para esvaziar a Petrobras, a única das grandes empresas de petróleo a ter reservas e produção continuamente aumentadas", diz o texto. "Debilitada a Petrobras, âncora do nosso desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, serão dizimadas empresas aqui instaladas, responsáveis por mais de 500.000 empregos qualificados, remetendo-nos uma vez mais a uma condição subalterna e colonial." 
Confira o manifesto, na íntegra:
O QUE ESTÁ EM JOGO AGORA
A chamada Operação Lava Jato, a partir da apuração de malfeitos na Petrobras, desencadeou um processo político que coloca em risco conquistas da nossa soberania e a própria democracia.
Com efeito, há uma campanha para esvaziar a Petrobras, a única das grandes empresas de petróleo a ter reservas e produção continuamente aumentadas. Além disso, vem a proposta de entregar o pré-sal às empresas estrangeiras, restabelecendo o regime de concessão, alterado pelo atual regime de partilha, que dá à Petrobras o monopólio do conhecimento da exploração e produção de petróleo em águas ultraprofundas. Essa situação tem lhe valido a conquista dos principais prêmios em congressos internacionais.
Está à vista de todos a voracidade com que interesses geopolíticos dominantes buscam o controle do petróleo no mundo, inclusive através de intervenções militares. Entre nós, esses interesses parecem encontrar eco em uma certa mídia a eles subserviente e em parlamentares com eles alinhados. 
Debilitada a Petrobras, âncora do nosso desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, serão dizimadas empresas aqui instaladas, responsáveis por mais de 500.000 empregos qualificados, remetendo-nos uma vez mais a uma condição subalterna e colonial.
Por outro lado, esses mesmos setores estimulam o desgaste do Governo legitimamente eleito, com vista a abreviar o seu mandato. Para tanto, não hesitam em atropelar o Estado de Direito democrático, ao usarem, com estardalhaço, informações parciais e preliminares do Judiciário, da Polícia Federal, do Ministério Público e da própria mídia, na busca de uma comoção nacional que lhes permita alcançar seus objetivos, antinacionais e antidemocráticos.
O Brasil viveu, em 1964, uma experiência da mesma natureza. Custou-nos um longo período de trevas e de arbítrio. Trata-se agora de evitar sua repetição. Conclamamos as forças vivas da Nação a cerrarem fileiras, em uma ampla aliança nacional, acima de interesses partidários ou ideológicos, em torno da democracia e da Petrobras, o nosso principal símbolo de soberania.
20 de fevereiro de 2015
Alberto Passos Guimarães Filho
Aldo Arantes
Ana Maria Costa
Ana Tereza Pereira
Cândido Mendes
Carlos Medeiros
Carlos Moura
Claudius Ceccon
Celso Amorim
Celso Pinto de Melo
D. Demetrio Valentini
Emir Sader
Ennio Candotti
Fabio Konder Comparato
Franklin Martins
Jether Ramalho
José Noronha
Ivone Gebara
João Pedro Stédile
José Jofilly
José Luiz Fiori
José Paulo Sepúlveda Pertence
Ladislau Dowbor
Leonardo Boff
Ligia Bahia
Lucia Ribeiro
Luiz Alberto Gomez de Souza
Luiz Pinguelli Rosa
Magali do Nascimento Cunha
Marcelo Timotheo da Costa
Marco Antonio Raupp
Maria Clara Bingemer
Maria da Conceição Tavares
Maria Helena Arrochelas
Maria José Sousa dos Santos
Marilena Chauí
Marilene Correa
Otavio Alves Velho
Paulo José
Reinaldo Guimarães
Ricardo Bielschowsky
Roberto Amaral
Samuel Pinheiro Guimarães
Sergio Mascarenhas
Sergio Rezende
Silvio Tendler
Sonia Fleury
Waldir Pires
COMENTÁRIO DO PROF. OCTAVIO GOUVEIA:
 Caso voce se inclua no perfil acima, acrescente seu nome nesta lista, ou simplesmente divulgue verdades sobre a PETROBRAS e ajude a denunciar mentiras mal intencionadas sobre a empresa.
Identificar e prender os corruptos da empresa sim !
Difamar a empresa para privatizá-la não !


http://www.jb.com.br/pais/noticias/2015/02/21/intelectuais-denunciam-golpe-contra-petrobras-em-manifesto/






Coppe alerta para consequências de uso político do caso da Petrobras

É preciso julgar e punir, mas também proteger interesses do país, dizem especialistas


Jornal do BrasilPamela Mascarenhas




O desenrolar, a repercussão e o uso do caso de corrupção na Petrobras têm preocupado alguns brasileiros, principalmente os que conhecem bem o funcionamento e a importância da estatal para o país, e ainda os interesses econômicos e geopolíticos do mercado internacional. Atenta e preocupada com os impactos de um "terceiro turno" eleitoral ou de uma possível tentativa de intervenção com interesses duvidosos na estatal, a Coppe UFRJ realizou nesta quinta-feira (18) o debate "A crise da Petrobras", com a participação do reitor da UFRJ, Carlos Levi, do diretor da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, de professores do instituto, de engenheiros da área do petróleo, de representantes de trabalhadores da Petrobras,  e do jornalista e economista George Vidor.
A cada novo capítulo da Operação Lava Jato e também com o embate geopolítico no mercado de petróleo entre Estados Unidos, Rússia, Europa, Venezuela e Arábia Saudita, a Petrobras sofre novas perdas. Os ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras, recibos que representam ações e são listados na Bolsa de Valores de Nova York, chegaram próximo a US$ 6 no início da semana. A máxima nos últimos 12 meses foi de US$ 21 e, em 2008, com o anúncio do pré-sal, tinha alcançado os US$ 100. Na segunda-feira (18), o Credit Suisse cortou o preço-alvo das ADRs de US$ 14 para US$ 7,30.
A Security Exchange Commission (SEC) ainda iniciou uma investigação que pode suspender os ADRs na Bolsa de Nova York. Cerca de 40% de todos os negócios com papéis da Petrobras no mundo passam pelo mercado americano. A Petrobras também está sob investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que analisa potenciais violações à legislação do país contra corrupção no exterior. Empresas de advocacia norte-americanas movimentam uma ação coletiva contra a empresa que, dependendo das interpretações que forem adotadas, podem significar um grave prejuízo. 





Diretor da Copppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa: "É uma exploração política, como todos estão dizendo, um terceiro turno, uma tentativa de mobilizar o governo da Dilma nesse início, há outras intenções."
Diretor da Copppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa: "É uma exploração política, como todos estão dizendo, um terceiro turno, uma tentativa de mobilizar o governo da Dilma nesse início, há outras intenções."

Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe, em conversa com a imprensa após o evento, ressalta que a Petrobras precisa sobreviver, se equacionar, punir os culpados, internamente e na Justiça, afastar os que foram relapsos na gestão e manter a questão tecnológica. Ele salienta, contudo, movimentos externos que prejudicam esse processo. 
Pinguelli acredita que uma mudança de diretoria da estatal, por exemplo, não é um grande problema, apesar de ser uma questão que o mercado financeiro parece exigir. "O mercado tem suas idiossincrasias, mas eu não vejo que isso é um grande problema, do ponto de vista interno, da operação da empresa. Eu acho que alguns diretores podem mudar, outros podem ficar, como os que têm posição chave", destaca o diretor, que também não vê nenhuma culpa do que acontece na presidente Graça Foster. "É uma exploração política, como todos estão dizendo, um terceiro turno, uma tentativa de mobilizar o governo da Dilma nesse início, há outras intenções, internas, que não são puramente apuração e punição, mais que isso, é tentativa de manietar a empresa
Ele lembra a questão dos preços baixos do petróleo, que têm prejudicado fortemente países exportadores como Venezuela e Rússia, mas que também afetam a Petrobras e empresas de menor porte do país. A questão que tem se propagado internacionalmente é que a culpa é da Arábia Saudita, que se recusa a subir seus preços, para prejudicar outros países. "Como foi dito aqui, não é só a Arábia Saudita que está nesse jogo. Em princípio, são os americanos, eles são muito estrategistas. Eles têm como alvo, além da Rússia, hoje acusada por uma questão de briga em sua fronteira, também a Venezuela, que é uma adversária preferencial dos Estados Unidos. Então eu acho que há uma estratégia. Não é apenas um fator econômico de 'caiu o preço do petróleo por questões de mercado'. Não."

Para Pingelli, a questão do preço do petróleo, inclusive pode ter como objetivo também afundar a Petrobras, e transferir a propriedade do pré-sal para outras empresas. "Já se fala em mudar o regime de partilha (estipulado para a exploração do pré-sal), e acabar com os 30% de participação obrigatória da Petrobras. Enfim, o perigo é a Petrobras sofrer mudanças que o próprio governo pode fazer, pressionado. O debate aqui é nessa direção, não deixar o governo ceder nesses pontos."


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Sobre os processos contra a estatal nos Estados Unidos, ele reforça: "É uma bola de neve infindável. Acho que era preciso uma estrutura de defesa da Petrobras. Além de punição dos culpados, estancar o processo, chegar a um acordo e punir."
Segen Estefen, professor de Engenharia Oceânica da Coppe, destaca que o patrimônio construído por décadas corre agora o risco de ser perdido, devido ao direcionamento que está sendo dado ao caso, e também às possíveis tentativas de interferência, que talvez tenham outros interesses que não o do país. "O Brasil perder isso é algo muito grave, é gravíssimo. Está muito além da corrupção, que tem ser extirpada. Mas nós não podemos deixar que a Petrobras caia no descrédito popular. Isso é muito grave. Se o Brasil perder a Petrobras, o Brasil vai perder muita coisa."
O debate então, resume Estefen, tinha justamente o objetivo de deixar claro a necessidade de uma posição de defesa da Petrobras, e desta posição chegar à sociedade. "Nós estamos descontentes com a corrupção, queremos que tudo isso acabe, e haja punições. Mas está havendo, eu diria da mídia preponderante, pelo menos, um ataque que deixa a sociedade confusa. Nós não estamos confusos, mas a sociedade está confusa."
Desestabilizar a Petrobras em um momento em que ela constrói uma grande rede de investimentos, que deve trazer retornos para o país, "seria algo desastroso", alerta o professor. "A gente tem que tomar cuidado para não passar para a sociedade que há uma desarticulação total na empresa. A empresa continua trabalhando, continua produzindo, continua avaliando as obras em construção."
"Uma coisa que eu vejo fora do Brasil é uma preocupação dos países desenvolvidos protegerem as suas empresas. E aqui no Brasil, eu não sei se isso também casou com a eleição, mas o que aparenta é o contrário. É um movimento nosso de denegrir a nossa maior empresa, quando nós deveríamos separar o que é a empresa e o que é a corrupção na empresa", completa Estefen.


Algumas lições da crise petrolífera: Só o mercado salva?

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A queda no preço do petróleo apresenta em suas origens - veja que não afirmo como única causa - a política de segurança energética dos Estados Unidos. Esta política tem em seu fundamento a independência do país em relação ao petróleo importado do Oriente Médio.
Wladmir Coelho
"A principal tarefa do setor petrolífero dos Estados Unidos consiste em reduzir os custos da produção para manter a sua posição de liderança no mundo". Alan Greenspan
Política de preços: A origem geopolítica
- Os EUA abandonaram os príncipes da Arábia?
- A segurança energética dos EUA inclui todo o continente americano
- A Petrobras na mira
  
- O retorno da múmia ou a Segurança Continental do general Távora
  
  
Política de preços: A origem geopolítica
A queda no preço do petróleo apresenta em suas origens - veja que não afirmo como única causa - a política de segurança energética dos Estados Unidos. Esta política tem em seu fundamento a independência do país em relação ao petróleo importado do Oriente Médio.

Os EUA abandonaram os príncipes da Arábia?
Ao contrário. Este corte nos valores do petróleo não parece preocupar muito os príncipes proprietários da ARAMCO que participam alegremente, vejam o exemplo da refinaria Motiva Port Arthur, dos investimentos necessários à concretização da política de segurança energética dos EUA.
A refinaria Motiva Port Arthur é a maior e a mais moderna dos Estados Unidos está apta para refinar, inclusive, o óleo de xisto e metade desta empresa pertence aos príncipes.
O envolvimento da nobreza árabe em negócios nos Estados Unidos é amplamente conhecida e inclui a participação da oligarquia dos Bush e a família real "proprietária" do petróleo árabe.
Recordando: Durante o fechamento do espaço aéreo dos Estados Unidos em decorrência dos ataques de 11 de setembro somente um avião comercial recebeu autorização para decolar. Esta aeronave transportava dezenas de príncipes e princesas em direção aos seus respectivos palácios. Oligarquia e monarquia tudo a ver.

A segurança energética dos EUA inclui todo o continente americano
A política de segurança energética dos Estados Unidos não encontra limites territoriais. Vejamos:
a)       No Canadá a produção de areia betuminosa foi dirigida para atender este objetivo embora desorganize a economia canadense atualmente voltada para a exportação de óleo aos EUA;
b)      O governo mexicano, apesar da oposição popular, avança em seu intuito de privatizar a PEMEX garantindo novas áreas produtivas aos interesses de segurança e mercadológico dos EUA;
c)      O controle das Ilhas Malvinas também surge como obstáculo à plena execução do projeto de segurança dos EUA. Um governo nacionalista não convém quando o assunto é petróleo. 
d)      A Venezuela, importante fornecedor dos Estados Unidos, enfrenta problemas para manter a política econômica do petróleo independente. Ao dirigir os recursos decorrentes da exploração ao projeto nacional de desenvolvimento.
A opção evidente dos Estados Unidos é promover a derrubada do presidente Maduro. Fato inédito na história?

Neste ponto precisamos observar que: O governo da Venezuela representa um entrave ao projeto de lucro máximo, mesmo com preços reduzidos, considerando as limitações decorrentes do controle estatal da produção petrolífera.

Nos Estados Unidos os petroleiros estão em greve por aumento de salários e garantias sociais. Este fato não ocorria há 30 anos e mostra o aumento na exploração da mão de obra. O menor preço compensado com maior exploração. A Venezuela representa sim uma barreira ao modelo econômico voltado aos interesses das oligarquias dos Estados Unidos.

Quanto ao aumento da exploração da mão de obra vejam a declaração do ex-diretor da Reserva Federal dos EUA Alan Greenspan: "A principal tarefa do setor petrolífero dos Estados Unidos consiste em reduzir os custos da produção para manter a sua posição de liderança no mundo".
A Petrobras na mira
  
Alguém ainda considera coincidência a campanha contra a Petrobras? Basta uma simples consulta aos grandes jornais para notar a movimentação descarada dos interessados em privatizar a empresa nacional. Perderam totalmente o pudor e assumem a condição de entreguistas oferecendo o patrimônio do povo brasileiro ao deus mercado.

Os jornais brasileiros apresentam a Petrobras como empresa falida ocultando a crise e números negativos das demais petrolíferas. Neste ponto o leitor pergunta: Está bem prof. Wladmir Coelho; Se todas as empresas encontram-se em dificuldades financeiras quem vai comprar a Petrobras?

Respondo: A política de segurança energética dos Estados Unidos apresenta como elemento executor as empresas privadas de petróleo.  O Estado atua como entidade em condições de garantir as estratégias de concentração de mercado apoiando a empresa em melhor condição de controlar as demais. Esta operação é simples e funciona através de fórmulas como acordos comerciais, subsídios, empréstimos financeiros em condições especiais e redução dos encargos trabalhistas. Existindo qualquer entrave para execução destas medidas entra em cena o canhão.

Nenhuma relação com práticas de mercado como andam escrevendo, tentando confundir o povo, nos jornais do Brasil.

Recentemente um grande jornal dos Estados Unidos anunciou que a Exxon seria a empresa ideal para iniciar o processo de aprofundamento da concentração no setor petrolífero.

Vejam bem: A EXXON apresentou queda nos valores de suas ações, anunciou cortes elevados de investimentos, fechou projetos e jornal nenhum do mundo cobrou a troca da direção por nomes mais "identificados com o mercado".  Ao contrário: Os executivos das grandes petroleiras reuniram-se e elegeram o presidente da empresa o melhor administrador do ano de 2014.

O retorno da múmia ou a Segurança Continental do general Távora
Nos anos de 1950 o general Juarez Távora defendia a mesma política ora desenvolvida pelos Estados Unidos. Acompanhado de entreguistas, fardados e civis, viajou o país afirmando o seguinte: O Brasil deve manter a propriedade do bem mineral, mas a exploração econômica deve ficar a cargo das empresas dos Estados Unidos. A alegação para fundamentar esta opinião era a Segurança Continental.
A doutrina defendida pelo general Távora entendia que os Estados Unidos, ao controlar a produção, teriam garantido o acesso ao combustível necessário a proteção e defesa do continente. Naquela época a ameaça de plantão eram os soviéticos.
O povo brasileiro não aceitou esta balela e foi às ruas exigir a criação de uma empresa nacional para garantir a auto-suficiência. 60 anos passaram-se e continuam os ataques contra a vontade popular.