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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

PETRÓLEO e GÁS ! A UCRÂNIA TEM E OS EUA NÃO ! EIS A QUESTÃO !

Washington Desestabiliza a Ucrânia

10.02.2014 | Fonte de informações:

Pravda.ru

 
Washington Desestabiliza a Ucrânia. 19769.jpeg

Os maníacos por controlar o mundo, em Washington, pensam que só é democrático o que Washington decida e imponha contra outros países soberanos. Nenhum outro país da Terra será jamais capaz de tomar uma, sequer uma, decisão democrática.

O mundo assiste há eras a essa arrogância dos EUA, com Washington derrubando um governo democrático após outro e impondo em cada país um fantoche norte-americano. É o que Washington fez no Irã em 1953, quando a CIA, como a própria agência já admite e Ervand Abrahamian demonstra em seu livro The Coup [O Golpe] (The New Press, 2013[1]), derrubou o governo eleito de Mossadeq; e como Washington fez também mais recentemente, quando derrubou o governo eleito de Honduras, e como fez inúmeras outras vezes em todos esses golpes.

Atualmente, Washington trabalha em tempo integral e faz horas extras para derrubar o governo da Síria, do Irã (outra vez!) e da Ucrânia.

Washington também já pôs em sua alça de mira a democracia da Venezuela, da Bolívia, do Equador e do Brasil; e, nos seus sonhos mais enlouquecidos, Washington sonha com derrubar também governos de Rússia e China.

Dia 26/1, Bouthaina Shaaban,[2] conselheira de Comunicações do governo sírio, perguntou a Wolf Blitzer, propagandista alugado a Washington e ao lobby israelense, em plena televisão norte-americana, por que o governo dos EUA, falando pela boca do secretário de Estado John Kerry, imagina que teria o direito de decidir quem deve governar a Síria, em lugar do povo sírio. [Pesquisas mostram que os índices de aprovação do presidente al-Assad são superiores aos de todos os governantes ocidentais.] Nem o viscoso-escorregadio Blitzer foi suficientemente viscoso-escorradio  para responder "porque nós somos o povo excepcional, indispensável". Mas é o que Washington pensa.

Não demorará, e Washington retomará o trabalho de desestabilizar o governo do Irã, um hábito, suponho. Mas, no presente momento, Washington está dedicada a desestabilizar a Ucrânia.

A Ucrânia tem um governo democraticamente eleito, mas Washington não gosta dele, porque não foi escolhido por Washington. A Ucrânia ou a parte ocidental do país está cheia de ONGs mantidas por Washington cujo objetivo é entregar a Ucrânia às garras da União Europeia, para que os bancos da União Europeia e dos EUA possam saquear o país como saquearam, por exemplo, a Latvia; e para simultaneamente enfraquecer a Rússia, roubando parte da Rússia tradicional e convertendo-a em área reservada para bases militares de EUA-OTAN contra a Rússia.

Talvez Putin, atleta, esteja distraído pelos Jogos Olímpicos na Rússia. É isso, ou é uma espécie de charada que ainda não deciframos, mas... Por que a Rússia não pôs em alerta máximo os seus mísseis nucleares e ocupou com soldados o oeste da Ucrânia, para impedir que todo o dinheiro da Ucrânia seja roubado por Washington? Em todos os países há cidadãos que trocariam por dinheiro o próprio país; e o oeste da Ucrânia pulula de traidores desse tipo.

Como temos visto há décadas, árabes e muçulmanos são capazes de vender o próprio povo em troca do dinheiro ocidental. Os ucranianos ocidentais também estão interessados no mesmo negócio. As ONGs financiadas por Washington existem para entregar a Ucrânia às garras de Washington; ali os ucranianos converter-se-ão em servos dos EUA, e essa parte essencial da Rússia será transformada em palco para exibição da violência militar dos EUA.

De todos os 'protestos' violentos aos quais o mundo tem assistido, os 'protestos' na Ucrânia são os mais completamente orquestrados.

Dia 6/2, o blog Zero Hedge, um dos sites inteligentes e bem informados da Internet, postou uma gravação 'vazada' em que fala a desprezível Victoria Nuland, uma das secretárias-assistentes de Estado do governo Obama. Nuland e Geoffrey Pyat, enviado dos EUA à Ucrânia, discutem sobre quem Washington coroará próximo chefe de governo da Ucrânia.

Nuland está furiosa, porque a União Europeia não se uniu a Washington no plano para impor sanções ao governo ucraniano para completar a tomada da Ucrânia por Washington. Nuland fala como se fosse Deus, como se tivesse direito divino para escolher quem governa a Ucrânia - que ela já está escolhendo.

A União Europeia, por corrompida que já esteja pelo dinheiro de Washington, mesmo assim ainda consegue entender que ter enriquecido com o dinheiro de Washington não lhe garante qualquer proteção contra os mísseis nucleares russos. A resposta de Nuland à União Europeia que hesita em arriscar a própria existência em benefício da hegemonia dos EUA é:

"Foda-se a União Europeia".

São os votos de Washington aos seus aliados mais cativos e a todos os povos do mundo. *****

6/2/2014, Paul Craig Roberts - http://goo.gl/TUqwMn
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[1] http://www.amazon.co.uk/Coup-The-Ervand-Abrahamian/dp/1595588264
[2] Ver entrevista de 23/1/2014, em http://wn.com/bouthaina_shaaban

domingo, 9 de fevereiro de 2014

DIZER A VERDADE TAMBÉM TRAZ DIGNIDADE E FAMA ! BRASILEIRO MONIZ BANDEIRA / NOBEL 2014 !

Brasileiro Moniz Bandeira indicado ao prêmio Nobel de literatura

30.01.2014
 
Brasileiro Moniz Bandeira indicado ao prêmio Nobel de literatura. 19695.jpeg
A UBE - União Brasileira de Escritores acaba de indicar o nome do cientista político e escritor Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira para o Prêmio Nobel de Literatura da Real Academia Sueca.
A indicação atendeu a um convite direto do Comitê do Prêmio Nobel à entidade sediada em São Paulo e que congrega 1.500 escritores de todo o país (em sua história, desde a fundação, em 1958, por figuras como Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Marcos Rey e Lygia Fagundes Telles, entre outros, a UBE já contou com mais de 4.300 associados). Segundo o regulamento do Prêmio Nobel, podem fazer indicações "presidentes de sociedades de autores que sejam representativas da produção literária em seus respectivos países".

Outra entidade brasileira, a Academia de Letras de Minas Gerais, também apoiou a indicação do nome de Moniz Bandeira e oficializou indicação.

Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira é cônsul honorário do Brasil na cidade alemã de Heidelberg. Autor de mais de 20 obras, notadamente ensaios políticos, também é poeta consagrado, com três livros saudados pela crítica: Verticais, de 1956, Retrato e Tempo, de 1960, e Poética (2009).

Vários de seus livros são adotados pelo Itamaraty, no curso de formação de diplomatas. Entre eles Formação do Império Americano - da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque, livro com o qual foi reconhecido, em 2005, como Intelectual do Ano, merecendo o troféu Juca Pato, da mesma UBE.
Mais de oito anos atrás, Moniz Bandeira já denunciava nesse trabalho a espionagem praticada pelas agências de segurança norte-americanas em diversos países. Este livro foi traduzido para o mandarim e publicado na China, e também traduzido para o espanhol e publicado na Argentina e em Cuba.
 

Seu livro mais recente, publicado em 2013, é A Segunda Guerra Fria que trata da geopolítica e da dimensão estratégica dos Estados Unidos nas rebeliões da Eurásia e nos movimentos da África do Norte e Oriente Médio.

Escreve Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-executivo do Ministério das Relações Exteriores e ex-Alto Comissário do Mercosul, no prefácio dessa obra: "Importante contribuição da obra de Moniz Bandeira é a revelação documentada de que as revoltas da Primavera Árabe não foram nem espontâneas e ainda menos democráticas, mas que nelas tiveram papel fundamental os Estados Unidos, nas promoção da agitação e da subversão, por meio de envio de armas e de pessoal, direta ou indiretamente, através do Qatar e da Arábia Saudita."

O livro A Segunda Guerra Fria foi escrito entre março e novembro de 2012, praticamente acompanhando no tempo os acontecimentos recentes mais significativos. Outros ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura foram escolhidos por obras que versavam sobre a história de seu tempo, entre eles Theodor Mommsen, Sigrid Undset, Pearl S. Buck e Winston Churchill.

Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira, caso seja selecionado pelo Comitê do Prêmio Nobel, em outubro de 2014, será o primeiro brasileiro laureado com o mais importante prêmio mundial da Literatura.


Serviço:
Brasileiro indicado para o Prêmio Nobel de Literatura
Email para entrevistas: Moniz-Bandeira@t-online.de

A FARSA AMERICANA DE PAÍS DO BEM E DA LIBERDADE VAI CAINDO ! EUA INVESTE NO TERROR !

Estados Unidos, principal financiador mundial do terrorismo

Estados Unidos, principal financiador mundial do terrorismo. 19757.jpeg
Estados Unidos, principal financiador mundial do terrorismo

por Thierry Meyssan
Numerosos autores puseram em evidência o papel dos Estados Unidos no financiamento do terrorismo internacional desde a guerra do Afeganistão contra os Soviéticos.
No entanto, até à actualidade, tratava-se sempre de ações secretas, nunca assumidas na altura por Washington. Um passo decisivo foi franqueado com a Síria: O Congresso votou o financiamento e armamento de duas organizações representando a Al-Qaida. Aquilo que era até aqui um segredo de polichinelo tornou- se agora a política oficial do «país da liberdade»: o terrorismo.

primeira semana da Conferência de paz de Genebra 2 terá sido plena de factos com saliência. Infelizmente, o público ocidental não recebeu nenhuma informação a respeito, vítima da censura que o oprime.

É com efeito o principal paradoxo desta guerra : as imagens são o inverso da realidade. Segundo os media internacionais o conflito opõe, de um lado os Estados reunidos em torno de Washington e de Riade que pretendem aplicar a democracia e conduzir a luta mundial contra o terrorismo, do outro a Síria e os seus aliados russos, inibidos pela pressão de serem difamados como ditaduras manipulando o terrorismo.

Se toda a gente sabe que a Arábia Saudita não é uma democracia, mas sim uma monarquia absoluta, a tirania de uma família e de uma seita sobre todo um povo, os Estados Unidos gozam da imagem de uma democracia e mais ainda de serem o « país da liberdade ».

Ora, a principal informação da semana foi censurada no conjunto dos Estados membros da Otan : o Congresso norte-americano reuniu-se secretamente para votar o financiamento e o armamento dos « rebeldes na Síria », até a 30 de setembro de 2014. Sim, leram bem. O Congresso tem sessões secretas que a imprensa não está autorizada a noticiar. É por tal que a informação, originalmente publicada pela agência britânica Reuters [1], foi escrupulosamente ignorada por toda a imprensa impressa e audio-visual dos Estados Unidos, e da maior parte dos media na Europa ocidental e no Golfo. Apenas os habitantes do « resto do mundo » tiveram a possibilidade de conhecer a verdade.


Ora a liberdade de expressão e o direito dos cidadãos à informação são, no entanto, pré-requisitos da democracia. Eles são mais respeitados na Síria e na Rússia que no Ocidente.

Como ninguém pôde ler a lei adoptada pelo Congresso, ignora-se o que ela estipula exactamente. No entanto, é claro que os « rebeldes » em questão não buscam derrubar o Estado sírio -eles renunciaram a tal-, mas sim « sangrá-lo ». É por isso que eles não se comportam como soldados (de um exército regular), mas mais como terroristas. Leram bem mais uma vez : os Estados Unidos, aparentemente vítimas da Al-Qaida no 11 de Setembro de 2001 e, após isso, líderes da « guerra global contra o terrorismo », financiam o principal foco de terrorismo internacional onde agem duas organizações oficialmente subordinadas à Al-Qaida (a Frente al-Nosra e o Emirado islâmico do Iraque e do Levante). Não se trata mais, aqui, de uma manobra obscura dos serviços secretos, mas de uma lei plenamente assumida, mesmo se foi adoptada à porta fechada de modo a não contradizer a propaganda oficial.

Por outro lado vê-se mal como a imprensa ocidental, que afirma desde há 13 anos que a Al-Qaida é a autora dos atentados do 11-Setembro e ignora a destituição do presidente George W. Bush nesse dia pelos militares, poderia explicar esta decisão ao seu público. Efectivamente o procedimento norte-americano de « Continuidade do governo » (CoG) é ele, também, protegido pela censura. De tal modo que os Ocidentais nunca tiveram conhecimento que, nesse 11 de Setembro, o poder foi transferido dos civis para os militares, das 10h da manhã até à noite, que durante esse dia os Estados Unidos foram dirigidos por uma autoridade secreta, em violação das suas leis e da sua constituição.

Durante a Guerra fria a CIA financiou o escritor George Orwell, enquanto ele imaginava a ditadura do futuro. Washington cria, assim, acordar as consciências para o perigo soviético. Mas, na realidade, nunca a URSS se pareceu com o pesadelo de « 1984 », enquanto os Estados Unidos se tornaram a incarnação disso.

O discurso anual de Barack Obama sobre o estado da União transformou-se, assim, num excepcional exercício de mentira. Diante dos 538 membros do Congresso, aplaudindo-o de pé, o presidente declarou : « Uma coisa não mudará : a nossa determinação para que os terroristas não lancem outros ataques contra o nosso país ». E ainda : « Na Síria apoiaremos a oposição que rejeita o programa das redes terroristas."

Em violação das resoluções 1267 e 1373 do Conselho de segurança, o Congresso dos Estados Unidos votou o financiamento e o armamento da Frente al-Nosra e do Emirado islâmico do Iraque e do Levante, duas organizações relevantes da Al-Qaida e classificadas como «terroristas» pelas Nações Unidas. Esta decisão é válida até a 30 de setembro de 2014.

Ora, quando a delegação síria em Genebra 2 submeteu, aquela que é suposta representar a sua « oposição », uma moção, exclusivamente baseada nas resoluções 1267 e 1373 do Conselho de segurança, condenando o terrorismo, aquela rejeitou-o sem provocar a menor observação de Washington. E não é para menos : o terrorismo significa os Estados Unidos, e a delegação da « oposição » recebe as suas ordens directamente do embaixador Robert S. Ford, presente no local.

Robert S. Ford antigo assistente de John Negroponte no Iraque. No início dos anos 80 Negroponte atacou a revolução nicaraguense alistando milhares de mercenários que, misturados com alguns colaboradores locais, formaram os « Contras ». O Tribunal internacional de Justiça, quer dizer o tribunal interno das Nações Unidas, condenou Washington por esta ingerência não declarada. Depois, nos anos 2000, Negroponte e Ford recriaram o mesmo cenário no Iraque. Desta vez, tratava-se de aniquilar a resistência nacionalista usando o ataque pela Al-Qaida.

Enquanto em Genebra os Sírios e a delegação da « oposição » discutiam, em Washington o presidente prosseguia o seu exercício de hipocrisia, e lançava ao Congresso que o aplaudia mecanicamente : « Nós lutamos contra o terrorismo não sómente com a ajuda das inteligência e das operações militares, mas também ao permanecer fieis aos ideais da nossa Constituição e dando nisso o exemplo ao mundo (...) E, nós, continuaremos a trabalhar com a comunidade internacional, para fazer surgir o futuro que o povo sírio merece - um futuro sem ditadura, sem terror e sem medo ».

A guerra fabricada pela Otan e pelo CCG na Síria, fez já mais de 130.000 mortos - segundo as estatísticas do MI6 difundidas pelo Observatório sírio dos Direitos do homem-, da qual os carrascos atribuem a responsabilidade ao povo que lhes ousa resistir e ao seu presidente, Bachar el-Assad.

Rede Voltaire | Damasco | 3 de Fevereiro de 2014

Thierry Meyssan
Tradução
Alva
Fonte
Al-Watan (Síria)

Síria: EUA reiniciam fornecimento de armas à Al-Qaeda

31.01.2014
 
Síria: EUA reiniciam fornecimento de armas à Al-Qaeda. 19709.jpeg
Aumenta a destruição.
28/1/2014, Moon of Alabama - http://www.moonofalabama.org/

A política antiga dos EUA, de fornecer armas aos 'rebeldes' não alcançou os objetivos declarados. Nem resultou em sucesso para os 'rebeldes', em seus esforços para derrubar o governo sírio, nem ajudou a manter longe os vários grupos que há na Síria, ligados à Al-Qaeda.

Em vez disso, as armas destinadas aos "terroristas moderados" caíram em mão de grupos da Al-Qaeda, e os "moderados" partiram-se em mil pedaços. De fato, os EUA garantiram toda a logística aos mesmos grupos contra os quais os EUA sempre disseram, ao longo dos últimos 12 anos, que estariam combatendo.

Como sempre, a resposta norte-americana a uma política fracassada, e fazer mais do mesmo. O Congresso dos EUA aprovou, em sessão secreta,[1] o envio de mais armas aos 'rebeldes' "moderados":

"Armas leves fornecidas pelos EUA estão chegando a grupos rebeldes sírios "moderados" no sul do país, e o financiamento, pelos EUA, para os meses futuros, de novas remessas de armas foi aprovado pelo Congresso, segundo funcionários de segurança dos EUA e europeus.

As armas, muitas das quais estão sendo enviadas a rebeldes sírios não islâmicos via a Jordânia, incluem armamento leve de vários tipos, e armamento mais pesado, como foguetes antitanques.

Remessas anteriores, de armas dos EUA, caíram em mãos da Frente al-Nusra,[2] da Al-Qaeda:

"Altos funcionários do Exército Sírio Livre e fontes jordanianas, além de provas gravadas em vídeo, confirmaram que mísseis anti-tanques fabricados na Europa foram capturados pela - e em alguns casos vendidos à - Frente extremista al-Nusra, depois de entregues a batalhões do Exército Sírio Livre através da fronteira da Jordânia."

O citado Exército Sírio Livre no sul é pouco mais que uma fachada de relações públicas para a frente al-Nusra, da al-Qaeda:

"Eles oferecem seus serviços e cooperam conosco, são mais bem armados que nós, têm homens-bombas e sabem fabricar carros-bomba" - explicou um militante do Exército Sírio Livre.
...

O Exército Sírio Livre e a al-Nusra unem-se para operações, mas há um acordo segundo o qual quem aparece é o Exército Sírio Livre, por razões públicas, porque não querem assustar nem a Jordânia nem o ocidente" - disse um miliciano que trabalha com grupos da oposição em Deraa."[3]

"Operações que foram realmente executadas pela Al-Nusra são apresentadas ao público pelo Exército Sírio Livre como se fossem suas" - disse a mesma fonte.

Um alto comandante do Exército Sírio Livre envolvido em operações em Deraa, disse que a Al-Nusra reforçou unidades do Exército Sírio Livre e teve papel decisivo em vitórias rebeldes no sul.

A cara da Al-Nusra não pode aparecer. Eles têm de ficar por trás do Exército Sírio Livre, por causa da Jordânia e da comunidade internacional" - disse a fonte.[4]

Os EUA também recomeçaram o fornecimento de ajuda "não letal" a 'rebeldes' no norte do país:

"Os EUA recomeçaram as entregas de ajuda não letal à oposição síria, disseram funcionários do governo na 2ª-feira, mais de um mês depois de terroristas da Al-Qaeda terem assaltado armazéns e causado considerável desfalque nos suprimentos que os ocidentais fornecem aos 'rebeldes'.

O equipamento de comunicações e outros itens estão sendo encaminhados atualmente só para grupos não armados da oposição - disseram funcionários dos EUA.
...

Os funcionários dos EUA, que são proibidos de comentar publicamente esse assunto e pediram para que seus nomes não fossem publicados, disseram que a ajuda está sendo mandada através da Turquia para a Síria, com a coordenação do Conselho Militar Supremo do Exército Sírio Livre (...)."[5]

Quando os jihadistas assaltaram os depósitos onde estava armazenada a ajuda "não letal" fornecida pelos EUA, roubaram o seguinte:

[Um alto comandante do Conselho Militar Supremo do Exército Sírio Livre] disse que a Frente Islamista assaltou um total de dez depósitos que pertencem ao grupo guarda-chuva apoiado pelo ocidente, e roubaram arsenal considerável, inclusive 2 mil rifles AK-47, 1.000 armas variadas - entre as quais lança-foguetes M79 Osa, foguetes lança-granadas e metralhadoras pesadas 14,5mm - além de mais de 200 toneladas de munição. E pelo menos 100 veículos militares do Exército Sírio Livre também foram levados no assalto."[6]

O reinício dos fornecimentos de armas para os 'rebeldes' sírios não levará a resultado diferente do que se viu nos fornecimentos anteriores. O que prova, mais uma vez, que o real objetivo dessa guerra instigada pelos EUA contra a Síria e dos esforços para expandi-la ainda é o mesmo de antes: "Destruir a infraestrutura, da economia, do tecido social, da Síria e dos apoiadores da Síria."[7] ********


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[1] http://news.yahoo.com/congress-secretly-approves-u-weapons-flow-39-moderate-223506323.html
[2] http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2013/Oct-04/233502-special-arms-for-syria-rebels-fall-into-nusra-hands.ashx#axzz2rjCDZTK8
[3] http://www.aina.org/news/20140104201903.htm
[4] Exatamente o que disse também o presidente Bashar Al-Assad, há dois dias:  "Nós todos sabemos que durante os últimos meses, os grupos terroristas extremistas que lutam na Síria já dizimaram as últimas posições restantes das forças que o ocidente ainda pinta como se fossem moderadas, do Exército Sírio Livre. Não existe mais Exército Sírio Livre. Agora só há extremistas, divididos em várias facções. (Negritos nossos.] Os combatentes que o ocidente chama de 'moderados', esses, na maioria, já se fundiram àquelas forças extremistas, seja por medo ou voluntariamente, estimulados por incentivos financeiros. Em resumo, independentemente dos rótulos que se leiam na mídia ocidental, nós agora estamos em luta contra um grupo terrorista extremista composto de várias facções" (26/1/2014, "Presidente Bashar al-Assad: Entrevista à Agência France Presse (AFP), Global Research, trad. em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2014/01/presidente-bashar-al-assad-entrevista.html).
[5] http://www.dailystar.com.lb/News/Middle-East/2014/Jan-27/245412-us-resumes-nonlethal-aid-to-syrian-opposition.ashx#axzz2rjCDZTK8
[6] http://www.aawsat.net/2013/12/article55324955
[7] http://www.moonofalabama.org/2012/09/syria-destruction-is-their-aim.html 


Crianças de guerra Estas imagens foram feitas entre 24 de janeiro 2014 e 27 de janeiro, 2014, mostram crianças refugiadas afegãs em uma favela nos arredores de Islamabad, no Paquistão. Por mais de três décadas, o Paquistão tem sido o lar de uma das maiores comunidades de refugiados do mundo: centenas de milhares de afegãos que fugiram das guerras repetidas e lutando em seu país. Desde 2001 invasão norte-americana do Afeganistão, cerca de 3,8 milhões já voltou para casa. Mas cerca de 1,6 milhões de refugiados afegãos registrados permanecem no Paquistão, com cerca de um milhão a viverem aqui ilegalmente; Fotos AP.

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Crianças de guerra

Estas imagens foram feitas entre 24 de janeiro2014 e 27 de janeiro, 2014, mostram crianças refugiadas afegãs em uma favela nos arredores de Islamabad, no Paquistão. Por mais de três décadas, o Paquistão tem sido o lar de uma das maiores comunidades de refugiados do mundo: centenas de milhares de afegãos que fugiram das guerras repetidas e lutando em seu país. Desde 2001 invasão norte-americana do Afeganistão, cerca de 3,8 milhões já voltou para casa. Mas cerca de 1,6 milhões de refugiados afegãos registrados permanecem no Paquistão, com cerca de um milhão a viverem aqui ilegalmente; Fotos AP.

ESPIONAGEM DO BRASIL E DA PETROBRAS FAZEM PARTE DA DOUTRINA MILITAR AMERICANA

Moniz Bandeira: O Brasil e as ameaças de projeto imperial dos EUA


REPORTAGEM de Marco Aurélio Weissheimer

A definição do Brasil como alvo de espionagem dos EUA não é de hoje, diz o historiador e cientista político Moniz Bandeira, em entrevista à Carta Maior.

Arquivo
Em 2005, o cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira apontou em seu livro “Formação do Império Americano” as práticas de espionagem exercidas pelas agências de inteligência dos Estados Unidos. Uma prática que, segundo ele, já tem aproximadamente meio século de existência. Desde os fins dos anos 60, diz Moniz Bandeira, a coleta de inteligência econômica e informações sobre o desenvolvimento científico e tecnológico de outros países, adversos e aliados, tornou-se uma prioridade do trabalho dessas agências.

Em seu novo livro, “A Segunda Guerra Fria - Geopolítica e dimensão estratégica dos Estados Unidos – Das rebeliões na Eurásia à África do Norte e Oriente Médio” (Civilização Brasileira), Moniz Bandeira defende a tese de que os Estados Unidos continuam a implementar a estratégia da full spectrum dominance (dominação de espectro total) contra a presença da Rússia e da China naquelas regiões. “As revoltas da Primavera Árabe”, afirma o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que assina o prefácio do livro, “não foram nem espontâneas e ainda muito menos democráticas, mas que nelas tiveram papel fundamental os Estados Unidos, na promoção da agitação e da subversão, por meio do envio de armas e de pessoal, direta ou indiretamente, através do Qatar e da Arábia Saudita”,

Nesta nova obra, Moniz Bandeira aprofunda e atualiza as questões apresentadas em “Formação do Império Americano”. “Em face das revoltas ocorridas na África do Norte e noOriente Médio a partir de 2010, julguei necessário expandir e atualizar o estudo. Tratei de fazê-lo, entre e março e novembro de 2012”, afirma o autor. É neste contexto que o cientista político analisa as recentes denúncias de espionagem praticadas pelos EUA em vários países, inclusive o Brasil.

A definição do Brasil como alvo de espionagem também não é de hoje. Em entrevista à Carta Maior, Moniz Bandeira assinala que a Agência Nacional de Segurança (NSA) interveio na concorrência para a montagem do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), pelo Brasil, e assegurou a vitória da Raytheon, a companhia encarregada da manutenção e serviços de engenharia da estação de interceptação de satélites do sistema Echelon. Na entrevista, o cientista político conta um pouco da história desse esquema de espionagem que, para ele, está a serviço de um projeto de poder imperial de proporções planetárias.

Moniz Bandeira defende que o Brasil, especialmente a partir da descoberta das reservas de petróleo do pré-sal, deve se preparar para defender seus interesses contra esse projeto imperial. “As ameaças existem, conquanto possam parecer remotas. Mas o Direito Internacional só é respeitado quando uma nação tem capacidade de retaliar”, afirma.

Carta Maior: O seu livro "Formação do Império Americano" já tratava, em 2005, do tema da espionagem praticada por agências de inteligência dos Estados Unidos. Qual o paralelo que pode ser traçado entre a situação daquele período e as revelações que vêm sendo feitas hoje?

Moniz Bandeira: Sim, em “Formação do Império Americano”, cuja primeira edição foi lançada em 2005, mostrei, com fundamento em diversas fontes e nas revelações pelo professor visitante da Universidade de Berkeley (Califórnia), James Bamford, que o sistema de espionagem, estabelecido pela National Security Agency (NSA), começou a funcionar há mais de meio século. O objetivo inicial era captar mensagens e comunicações diplomáticas entre os governos estrangeiros, informações que pudessem afetar a segurança nacional dos Estados Unidos e dar assistência às atividades da CIA.

Com o desenvolvimento da tecnologia eletrônica, esse sistema passou a ser usado para interceptar comunicações internacionais via satélite, tais como telefonemas, faxes, mensagens através da Internet. Os equipamentos estão instalados em Elmendorf (Alaska), Yakima (Estado de Washington), Sugar Grove (Virginia ocidental), Porto Rico e Guam (Oceano Pacífico), bem como nas embaixadas, bases aéreas militares e navios dos Estados Unidos.

A diferença com a situação atual consiste na sua comprovação, com os documentos revelados por Edward Snowden, através do notável jornalista Gleen Greenwald, que mostram que a espionagem é feita em larga escala, com a maior amplitude.

Desde os fins dos anos 60, porém, a coleta de inteligência econômica e informações sobre odesenvolvimento científico e tecnológico de outros países, adversos e aliados,  tornou-se mais e mais um dos principais objetivos da COMINT (communications inteligence), operado pela NSA), dos Estados Unidos, e pelo Government Communications Headquarters (GCHQ), da Grã-Bretanha, que em 1948 haviam firmado um pacto secreto, conhecido como UKUSA (UK-USA) - Signals Intelligence (SIGINT). Esses dois países formaram um pool - conhecido como UKUSA - para interceptação de mensagens da União Soviética e demais países do Bloco Socialista, a primeira grande aliança de serviços de inteligência e à qual aderiram, posteriormente, agências de outros países, tais como  Communications Security Establishment (CSE), do Canadá, Defense Security Directorate (DSD), da Austrália e do General Communications Security Bureau (GCSB), da Nova Zelândia. Essa rede de espionagem, chamada de Five Eyes e conhecida também como ECHELON -  só se tornou publicamente conhecida, em março de 1999, quando o governo da Austrália nela integrou o Defence Signals Directorate (DSD),  sua organização de  SIGINT.

Carta Maior: Qual sua avaliação a respeito da reação (ou da falta de) da União Europeia diante das denúncias de espionagem?

Moniz Bandeira: Os serviços de inteligência da União Europeia sempre colaboraram, intimamente, com a CIA e demais órgãos dos Estados Unidos. Os governos da Alemanha, França, Espanha, Itália e outros evidentemente sabiam da existência do ECHELON e deviam intuir que o ECHELON - os Five Eyes - trabalhasse também para as corporações industriais. As informações do ECHELON, sobretudo a partir do governo do presidente Bill Clinton, eram canalizadas para o Trade Promotion Co-ordinating Committee (TPCC), uma agência inter-governamental criada em 1992 pelo Export Enhancement Act e dirigida pelo Departamento de Comércio, com o objetivo de unificar e coordenar as atividades de exportação e financiamento do dos Estados Unidos. Corporações, como Lockheed, Boeing, Loral, TRW, e Raytheon, empenhadas no desenvolvimento de tecnologia, receberam comumente importantes informações comerciais, obtidas da Alemanha, França e outros países através do ECHELON.

O presidente Clinton recorreu amplamente aos serviços da NSA para espionar os concorrentes e promover os interesses das corporações americanas. Em 1993, pediu à CIA que espionasse os fabricantes japoneses, que projetavam a fabricação de automóveis com zero-emissão de gás, e transmitiu a informação para  a Ford, General Motors e Chrysler. Também ordenou que a NSA e o FBI, em 1993, espionassem  a conferência da Asia-Pacific Economic Cooperation (APEC), Seattle, onde aparelhos foram instalados secretamente em todos os quartos do hotel, visando a  obter informação relacionada com negócios para a construção no Vietnã, da hidroelétrica Yaly. As informações foram passadas para os contribuintes de alto nível do Partido Democrata. E, em 1994, a NSA não só interceptou faxes e chamadas telefônicas entre o consórcio europeus Airbus e o governo da Arábia Saudita,  permitindo ao governo americano intervir  em favor da Boeing Co, como interveio na concorrência para a montagem do SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia), pelo Brasil, e assegurou a vitória da Raytheon, a companhia encarregada da manutenção e serviços de engenharia da estação de interceptação de satélites do sistema  ECHELON, em  Sugar Grove.

Carta Maior: Um dos temas centrais de seus últimos trabalhos é a configuração do Império Americano. Qual é a particularidade desse Império Americano hoje? Trata-se de um Império no sentido tradicional do termo ou de um novo tipo?

Moniz Bandeira: Todos os impérios têm particularidades, que são determinadas pelo desenvolvimento das forças produtivas. Assim, não obstante a estabilidade das palavras, o conceito deve evoluir conforme a realidade que ele trata de representar. O império, na atualidade, tem outras características, as características do ultra-imperialismo, o cartel das potências industriais, sob a hegemonia dos Estados Unidos, que configuram a única potência capaz de executar uma política de poder, com o objetivo estratégico de assegurar fontes de energia e de matérias primas, bem como os investimentos e mercados de suas grandes corporações, mediante a manutenção de bases militares, nas mais diversas regiões do mundo, nas quais avança seus interesses, através da mídia, ações encobertas dos serviços de inteligência, lobbies, corrupção, pressões econômicas diretas ou indiretas, por meio de organizações internacionais, como Banco Mundial, FMI, onde detém posição majoritária. As guerras, para o consumo dos armamentos e aquecimento da economia, foram transferidas para a periferia do sistema capitalista.

É óbvio, portanto, que o Império Americano é diferente do Império Romano e do Império Britânico. Ainda que informal, isto é, não declarado, os Estados Unidos constituem um império. São a única potência, com bases militares em todas as regiões do mundo e cujas Forças Armadas não têm como finalidade a defesa das fronteiras nacionais, mas a intervenção em outros países. Desde sua fundação, em 1776, os Estados Unidos estiveram at war 214 em seus 236 anos do calendário de sua existência, até dezembro de 2012. Somente em 21 anos não promoveram qualquer guerra. E, atualmente, o governo do presidente Barack Obama promove guerras secretas em mais de 129 países. O Império Americano (e, em larga medida, as potências industriais da Europa) necessita de guerras para manter sua economia em funcionamento, evitar o colapso da indústria bélica e de sua cadeia produtiva, bem como evitar o aumento do número de desempregados e a bancarrota de muitos Estados americanos, como a Califórnia, cuja receita depende da produção de armamentos.

Ademais do incomparável poderio militar, os Estados Unidos também detém o monopólio da moeda de reserva internacional, o dólar, que somente Washington pode determinar a emissão e com a emissão de papéis podres e postos em circulação, sem lastro, financiar seus déficits orçamentários e a dívida pública. Trata-se de um "previligégio exorbitante", conforme o general Charles de Gaulle definiu esse unipolar global currency system, que permite aos Estados Unidos a supremacia sobre o sistema financeiro internacional.

Carta Maior: Qual a perspectiva de longo prazo desse império? 

Moniz Bandeira: Os Estados Unidos, como demonstrei nesse meu novo “A Segunda Guerra Fria”, lançado pela editora Civilização Brasileira, estão empenhados em consolidar uma ordem global, um império planetário, sob sua hegemonia e da Grã-Bretanha, conforme preconizara o geopolítico Nicholas J. Spykman, tendo os países da União Européia e outros como vassalos. O próprio presidente Obama  reafirmou, perante o Parlamento britânico, em Westminster (maio de 2011) que a “special relationship” dos dois países (Estados Unidos e Grã-Bretanha), sua ação e liderança eram indispensáveis à causa da dignidade humana, e os ideais e o caráter de seus povos tornavam “the United States and the United Kingdom indispensable to this moment in history”. Entremente, o processo de globalização econômica e política, fomentado pelo sistema financeiro internacional e pelas grandes corporações multinacionais, estava a debilitar cada vez mais o poder dos Estados nacionais, levando-os a perder a soberania sobre suas próprias questões econômicas e sociais, bem como de ordem jurídica.

O Project for the New American Century, dos neo-conservadores  e executado pelo ex-presidente George W. Bush inseriu os Estados Unidos em um estado de guerra permanente, uma guerra infinita e indefinida, contra um inimigo assimétrico, sem esquadras e sem força aérea, com o objetivo de implantar a full spectrum dominance, isto é, o domínio completo da terra, mar, ar e ciberespaço pelos Estados Unidos, que se arrogaram à condição de única potência verdadeiramente soberana sobre a Terra, de  "indispensable nation" e “exceptional”. 

O presidente Barack Obama  endossou-o, tal como explicitado na Joint Vision 2010 e ratificado pela Joint Vision 2020, do Estado Maior-Conjunto, sob a chefia do general de exército Henry Shelton. E o NSA é um dos intrumentos para implantar a full spectrum dominance, uma vez que monitorar as comunicações de todos os governantes tanto aliados quanto rivais é essencial para seus propósitos. Informação é poder

Carta Maior: Qual o contraponto possível a esse império no ambiente geopolítico atual?

Moniz Bandeira: Quando em 2006 recebi o Troféu Juca Pato, eleito pela União Brasileira de Escritores "Intelectual do ano 2005", por causa do meu livro “Formação do Império Americano”, pronunciei um discurso, no qual previ que, se o declínio do Império Romano durou muitos séculos, o declínio do Império Americano provavelmente levará provavelmente algumas décadas. O desenvolvimento das ferramentas eletrônicas, da tecnologia digital, imprimiu velocidade ao tempo, e a sua queda será tão vertiginosa, dramática e violenta quanto sua ascensão. Contudo, não será destruído militarmente por nenhuma outra potência. Essa perspectiva não há. O Império Americano esbarrondará sob o peso de suas próprias contradições econômicas, de suas dívidas, pois não poderá indefinidamente emitir dólares sem lastros para comprar petróleo e todas as mercadorias das quais depende, e depender do financiamento de outros países, que compram os bonus do Tesouro americano, para financiar seu consumo, que excede a produção, e financiar suas guerras.

É com isto que a China conta. Ela é o maior credor dos Estados Unidos, com reservas de cerca US$ 3,5 trilhões, das quais apenas US$ 1,145 trilhão estavam investidos em U.S. Treasuries. E o  ex-primeiro-ministro Wen Jiabao  previu o “primeiro estágio do socialismo para dentro de 100 anos”, ao afirmar que o Partido Comunista persistiria executando as reformas e inovação a fim de assegurar o vigor e vitalidade e assegurar o socialismo com as características chinesas, pois “sem a sustentação e pleno desemvolvimento das forças produtivas, seria impossível alcançar a equidade e justiça social, requesitos essenciais do socialismo.”

Carta Maior: Na sua opinião, o que um país como o Brasil pode fazer para enfrentar esse cenário?

Moniz Bandeira: O ministro-plenipotenciário do Brasil em Washington, Sérgio Teixeira de Macedo, escreveu, em 1849, que não acreditava que houvesse “um só país civilizado onde a idéia de provocações e de guerras seja tão popular como nos Estados Unidos”. Conforme percebeu, a “democracia”, orgulhosa do seu desenvolvimento, só pensava em conquista, intervenção e guerra estrangeira, e preparava, de um lado, a anexação de toda a América do Norte e, do outro, uma política de influência sobre a América do Sul, que se confundia com suserania.

O embaixador do Brasil em Washington, Domício da Gama, comentou, em 1912, que o povo americano, formado com o concurso de tantos povos, se julgava diferente de todos eles e superior a eles. E acrescentou que “o duro egoísmo individual ampliou-se às proporções do que se poderia chamar de egoísmo nacional”. Assim os Estados Unidos sempre tenderam e tendem a não aceitar normas ou limitações jurídicas internacionais, o Direito Internacional, não obstante o trabalho de Woodrow Wilson para formar a Liga das Nações e de Franklin D. Roosevelt para constituir a ONU. E o Brasil, desde 1849, esteve a enfrentar a ameaça dos Estados Unidos que pretendiam assenhorear-se da Amazônia.

Agora, a situação é diferente, mas, como adverti diversas vezes, uma potência, tecnologicamente superior, é muito mais perigosa quando está em declínio, a perder sua hegemonia e quer conservá-la, do que quando expandia seu império. Com as descobertas das jazidas pré-sal, o Brasil entrou no mapa geopolítico do petróleo. As ameaças existem, conquanto possam parecer remotas. Mas o Direito Internacional só é respeitado quando uma nação tem capacidade de retaliar. O Brasil, portanto, deve estar preparado para enfrentar, no mar e em terra, e no ciberespaço, os desafios que se configuram, lembrando a máxima “se queres a paz prepara-te para a guerra” (Si vis pacem,para bellum)

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

PERGUNTAS e RESPOSTAS SOBRE CONCURSO E EMPREGO NA PETROBRAS em 2014

MENSAGEM DO PROF OCTAVIO GOUVEIA aos alunos do CPOG  !

  A história da PETROBRAS é escrita pelos brasileiros que acreditam na força do seu trabalho e do seu estudo. Dos brasileiros que gostam de desafios e os encaram de frente, na certeza de que a vitória é uma questão de esforço, de fé e de tempo ! Sempre existiram e sempre existirão as vozes que falam mal da PETROBRAS e dizem que ela não terá futuro !  Ela já nasceu assim ! Desacreditada e diminuída pelos traídores da Pátria Brasileira e por aqueles que não acreditavam na capacidade de realização dos trabalhadores e estudantes brasileiros. Ela nasceu pobre, pequena, sem petróleo, sem dinheiro, sem técnicos, sem engenheiros, sem perspectivas ! Hoje é a sétima maior empresa de energia do mundo ! 
   Gigantes como a EXXON-MOBIL, CHEVRON-TEXACO, SHELL e TOTAL, todas juntas tem reservas de Petróleo menores do que a PETROBRAS !
  Quem será que esta com o futuro comprometido ?  Não acredite na imprensa brasileira, em sua maioria vendida aos interesses contrários aos da PETROBRAS e do Brasil ! Os sucessos da PETROBRAS sempre são omitidos. Os defeitos e dificuldades são sempre destacados em primeira página. Não se deixe enganar !
  São grandiosos os destinos da PETROBRAS e do Brasil !  Quem viver verá !

Quer estudar no Curso CPOG  e passar no concurso da PETROBRAS em 2014 ? Clique no LINK abaixo.

www.cursooctaviogouveia.blogspot.com

Quer fazer parte desta história brasileira de sucesso ?  Estude e passe para a PETROBRAS ! 


Aos concurseiros que desejam ingressar na Petrobras, listamos abaixo algumas perguntas e resposta:
Quais os canais de contato com a Petrobras, nos casos de dúvidas sobre processos seletivos públicos?
Disponibilizamos o e-mail concursos@petrobras.com.br e o telefone (21)3224.2011 para tirar dúvidas e fornecer informações a respeito dos processos seletivos públicos. Também há outros canais corporativos, como o da Ouvidoria (ouvidoria@petrobras.com.br) e o do Serviço de informação ao Cidadão.
Posso deixar meu currículo para me candidatar a uma oportunidade de emprego na empresa?
Não, pois o ingresso nos quadros de pessoal da Petrobras está condicionado à existência de vagas e aprovação do candidato em processo seletivo público, conforme art. 37 da Constituição Federal. Baseado nisso, a companhia não mantém arquivo de currículo de candidatos. Os processos seletivos são amplamente divulgados na mídia e os editais são disponibilizados na página da Petrobras e da entidade executora, na internet.
De quanto em quanto tempo a Petrobras abre um novo processo seletivo público?
Não há periodicidade exata para a realização dos processos seletivos públicos. Eles ocorrem de acordo com a demanda de pessoal, identificada em cada uma das áreas de negócios da companhia.
Fui aprovado no processo seletivo, mas ainda não me formei. Eu vou poder ser admitido?
De acordo com a súmula 266 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), os candidatos aprovados nos processos seletivos têm até a data da admissão para comprovar todos os requisitos exigidos no edital. Dessa forma, caso um candidato não consiga comprová-los até a data da admissão será eliminado do processo.
Como são criadas as vagas de um processo seletivo?
A Petrobras é uma sociedade de economia mista, integrante da Administração Indireta, que desenvolve suas atividades em caráter de livre competição com outras empresas, em função das condições de mercado. Diferentemente do que ocorre em relação às entidades da Administração Direta, cujo quadro de pessoal é estabelecido em lei, a fixação do quantitativo de vagas nos processos seletivos públicos da Petrobras é feita com base na demanda de pessoal, identificada por cada uma das áreas de negócios, levando-se em conta a estratégia mercadológica da companhia.
LEIA MAIS INFORMAÇÕES NO SITE ESPECIALIZADO ABAIXO:

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

GETÚLIO VARGAS NÃO SERIA ELEITO E A PETROBRAS NÃO EXISTIRIA SEM SAMUEL WEINER !

" A unanimidade é burra. A imprensa unânime é o maior dos poderes !  " 

 100 anos de Samuel Wainer, a ovelha negra da grande imprensa

Amanha, Samuel Wainer, o criador do jornal Última Hora, faria 100 anos. É impossível esquecer de ambos em dias de tanto debate sobre a imprensa no Brasil.
Wainer começou no jornalismo ainda estudante. Durante a ditadura de Getúlio Vargas, foi preso 3 vezes, e acabou no exílio, primeiro nos EUA, depois na Europa. Foi o único jornalista brasileiro presente aos julgamentos de Nuremberg.
Na volta ao Brasil, foi trabalhar como repórter para os Diários Associados. Em 1949, depois de cobrir um encontro de produtores de trigo em Bagé, decidiu ir até Sao Borja para entrevistar o ex-ditador, quieto em sua estância desde sua deposiçao. Getúlio o recebeu surpreendentemente bem, e Wainer acabou conseguindo dele a declaraçao da década – “Vou voltar, nao como líder político, mas como líder de massas”.
E voltou. Eleito em 1950, Getúlio precisava ter algum apoio na imprensa, que lhe era unanimemente hostil. Perguntou a Wainer se ele nao gostaria de ter um jornal. Nao foi difícil arranjar os financiadores, 1 banqueiro e 2 industriais simpáticos ao presidente. A Última Hora circulou pela primeira vez em julho de 1951. Defendia Getúlio e seu governo. Em 6 meses, era o jornal mais vendido do Rio de Janeiro, e logo foi lançado em Sao Paulo e Porto Alegre.
Wainer sofreu todo tipo de ataque de seus concorrentes. Foi acusado de nao ser brasileiro, de ter nascido na mesma Bessarábia de seus pais, o que o impediria legalmente de ter um jornal. Até uma CPI foi instalada. Nada se provou.
Quando Getúlio se matou, em 1954, muita gente achou que Samuel Wainer e a Última Hora seriam enterrados com ele. Mas resistiram. A UH atacou Café Filho, defendeu Juscelino, apoiou Jango, até receber a trombada de mais uma ditadura, em 1964. Wainer foi novamente para o exílio, voltou em 1967, mas já nao tinha mais nem liberdade nem recursos para fazer seu jornal sob o regime militar. Em 1972, vendeu a marca e o que restava dela a um grupo de empreiteiros (já havia vendido a versao gaúcha logo após o golpe, ainda em 1964, para Ary de Carvalho, que mudou seu nome para Zero Hora e, 6 anos depois, o vendeu à família Sirotsky).
Quando morreu, em setembro de 1980, Samuel Wainer era colunista e membro do conselho editorial da Folha de S Paulo. Seu maior segredo só foi revelado 25 anos depois – Wainer era mesmo nascido na Bessarábia. Riu por último.

COMENTÁRIO DO PROFESSOR OCTAVIO GOUVEIA:

   Na reportagem acima, o passado !
   A certeza de que sem uma cobertura jornalística de um profissional da imprensa que o retirasse do ostracismo e anonimato nos pampas gaúchos, Getulio Vargas não retornaria à Presidência da República; eleito pelo voto popular, contra a vontade de toda a imprensa brasileira da época !

   Abaixo, o presente e o futuro próximo !
   A necessidade do Brasil ter uma imprensa livre, onde o trabalhador e o empresário brasileiro tenham voz ativa; em detrimento da atual grande imprensa, vendida aos interesses estrangeiros e anti-nacionais !
   Mídia democrática e popular já !

   Nos EUA a mídia é considerada o quarto poder da república, quase sempre suplantando os poderes legislativo, judiciário e executivo !  Eles sabem disto !  Se beneficiam desta faceta no estrangeiro, em países como o Brasil !   Não foi outro o motivo que levou o saudoso Presidente Vargas ao suicídio !

....Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.............. G. Vargas (24/08/54)

......Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre................ G. Vargas (24/08/54)

Altamiro Borges: “Democratizar a mídia é ter mais vozes falando”


“Uma trincheira na luta contra a ditadura midiática”. Essa é a descrição da página que Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, possui na internet (altamiroborges.blogspot.com.br). O sentido da frase dispensa a apresentação do alvo de combate de Altamiro, que esteve em Salvador, na última quinta (31/1) e sexta-feira (1/2), participando de debates sobre a democratização da mídia.


Nesta entrevista ao Vermelho da Bahia, o presidente do Barão tece duras críticas ao sistema nacional de comunicação e fala sobre as mobilizações no país em prol da sua democratização, destacando o papel dos movimentos populares nessa luta que, segundo ele, é de todos. Na conversa, Altamiro também destacou o pioneirismo da Bahia nas discussões sobre uma mídia democrática, muito por conta da formação, no estado, do primeiro conselho de comunicação do país.

Sobre o império criado pelas mídias tradicionais no Brasil e da dificuldade em abalá-lo, Altamiro, que também é secretário nacional de Questões de Mídia do PCdoB, cita o que aconteceu com os impérios de Murdoch (Reino Unido) e Clarin (Argentina), e dispara: “Eu sou pessimista com o diagnóstico, mas otimista com a possibilidade da mudança”. Confira.


- Quais as principais críticas que se faz ao sistema brasileiro de comunicação, da maneira como está organizado hoje?

A principal crítica: o sistema de comunicação do Brasil é altamente concentrado, monopolizado e tem um papel muito forte na sociedade, como agente de manipulação. Informa, mas não informa. Forma, mas deforma. O país nem chegou ainda ao capitalismo na área da comunicação. Ele é feudal. São sete famílias que detém o grosso da comunicação no Brasil. Você pode listar: Globo, família Marinho; Saad, Bandeirantes; Abravanel, SBT; Macedo, Record; Frias, Folha [de São Paulo]; Mesquita, Estadão; e a família Civita, da Abril e da revista Veja. Isso é muito negativo para a democracia. Acaba sendo um atentado à própria liberdade de expressão. Crescentemente, essa mídia vem assumindo um papel de partido político, confirmando a tese de um grande intelectual revolucionário italiano, chamado Antônio Gramsci, que disse que quando os partidos de direita entram em crise, a imprensa ocupa o papel do partido do capital. Isso está acontecendo na América Latina inteira. É uma imprensa que faz, o tempo inteiro, o jogo da oposição. Esse quadro é que precisa ser transformado. Infelizmente, o Governo não toma atitude necessária, a meu ver muito a partir de uma visão eleitoral, por uma visão meio acovardada, eu diria – eu sei que o termo é forte -, o Governo não toma uma atitude. o Congresso também não mexe, porque a bancada da radiodifusão é muito poderosa, ela consegue intimidar. Também, porque a mídia tem o papel de projetar lideranças e de destruir lideranças. A sociedade é que vai ter que se mobilizar para enfrentar esse problema que afeta a democracia brasileira.


- Existe um projeto de iniciativa popular para democratização da mídia. Como é essa mobilização e a que pés anda?


É uma iniciativa do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que é um guarda-chuva que abriga as principais entidades do movimento popular brasileiro, centrais sindicais, movimento sem-teto, a UNE, a UBES, o movimento negro, de mulheres. Hoje tem uma executiva com nove integrantes e o Barão de Itararé, inclusive, é membro. A coordenação é da jornalista Rosane Bertotti. O FNDC pressionou muito, mas percebeu que o governo não ia enviar um projeto sobre o tema. No ano passado, o governo deixou explícito que não ia mesmo mexer e o FNDC resolveu que não ia mais esperar e que ia pra sociedade. Qual instrumento usar? Um instrumento legal, constitucional, que são os projetos de iniciativa popular, que é a sociedade poder mandar projeto direto pro Congresso, sem depender de nenhum deputado ou senador. Esse projeto precisa de 1,4 milhão de assinaturas. Então, se elaborou um projeto muito direito, muito concentrado, que discute radiodifusão e concessão pública, não discute mídia em geral, mas foca nas concessões. O projeto tem, entre seus vários objetivos, nos seus 33 artigos, a quebra do monopólio da comunicação, ou seja, regulamentar o que já está escrito na Constituição, que proíbe monopólio. São medidas para quebrar, principalmente, o monopólio da Globo, que não pode ter todo esse domínio na área. As outras emissoras ficam comendo migalhas. O segundo objetivo é o estímulo à diversidade e pluralidade informativa. É garantir que a rádio comunitária tenha condições de ser sustentada, é garantir uma nova discussão sobre publicidade no Brasil, garantir que o movimento popular tenha espaço na concessão pública, a exemplo dos partidos políticos. Várias entidades estão comprometidas com esse projeto. Ainda vamos fazer um balanço da coleta de assinaturas, devemos ter mais de 100 mil, o que ainda é pouco. Esse ano é um bom ano para ampliar o debate e aumentar as assinaturas.


- De que outras formas os movimentos populares, que têm suas pautas tocadas pelas questões de comunicação, podem contribuir com essa luta?


Cada movimento tem a sua pauta específica e, em todas essas pautas, a questão da comunicação é transversal. Por exemplo, se os trabalhadores fazem uma greve, a greve é não-notícia. Quais as reivindicações? Qual a reação do patronato? Quando os trabalhadores realizam uma passeata, viram notícia pra dizer que estão prejudicando o trânsito. Então, o movimento sindical já percebeu: “com essa mídia, nós ficamos sempre acuados, as nossas lutas não aparecem, nós somos inviabilizados”. A mídia é capaz de falar do aniversário de uma top model, mas incapaz de falar dos 30 anos do MST, da luta que uma questão fundamental, que é a reforma agrária. O Estadão lembrou dos 30 anos, mas foi pra “meter o cacete”. Essa mídia tem vínculos com ruralistas. Então, os movimentos sociais precisam perceber que a pauta da comunicação é transversal. Não vão conseguir avançar na luta se não entrarem de cabeça na luta da democratização da comunicação.


- A reação da grande imprensa a essa mobilização é de dizer que é uma tentativa de censura. O que tem a dizer sobre isso?


É uma grande hipocrisia. Primeiro, porque quem apoiou o golpe militar foi essa mídia que está aí. O golpe destituiu um presidente democraticamente eleito, fechou o Congresso e fechou, inclusive, jornais, vários jornalistas foram assassinados. A Globo construiu o seu império com as benesses da ditadura. Segundo, quem atenta contra a liberdade é a imprensa; no momento em que ela é altamente concentrada, sufoca outras vozes. Mas ela tem que ir pro ataque. Um relatório da União Europeia disse que a mídia concentrada sufoca a liberdade de expressão. Um outro elemento que confunde muitos jornalistas: a única liberdade é a do dono do jornal. Escreva o que você quer para ver o que te acontece. Não caia nessa conversa que os de fora estão querendo coibir a sua liberdade porque ela está sendo coibida de dentro das redações.


- O senhor participou aqui na Bahia de um debate promovido pelo governo do estado. Além dessa mobilização, aqui tivemos a formação de um conselho de comunicação, entre outras iniciativas. Qual a importância das mobilizações regionais, nos estados?


Infelizmente pro Brasil, mas felizmente para os baianos, a Bahia é o único estado que tem um conselho de comunicação. A Bahia está na vanguarda. É uma forma de democratização porque você junta as partes, os entes públicos, a sociedade civil organizada e os empresários, para tentar consensuar pontos, no sentido de ir aperfeiçoando os meios de comunicação, pra que eles não sejam tão concentrados e manipuladores. Os conselhos deviam se disseminar pelo país inteiro. Todas as prefeituras deveriam ter conselho, os estados e o governo federal. Os Estados Unidos têm conselhos desde a década de 20 e em todos os países da Europa também tem conselho. É uma forma de a sociedade participar.


- Como o senhor já adiantou, as grandes empresas de comunicação do país formam um grande império e têm um grande poder. Diante disso, dá pra ser otimista nesta luta?

Dá pra ser otimista por “n” motivos, pela pressão da sociedade e com a influência da sociedade nos ambientes políticos. Um grande império é Murdoch, um dos maiores impérios de mídia do mundo. Esse grande império acabou de ser abalado, no Reino Unido. Teve até que se desfazer de tabloides que eram panfletos caluniosos, invasivos. O Robert Murdoch também achava que não ia ser incomodado. Vamos pegar um exemplo da América Latina: o grupo Clarin, da Argentina, um grupo que comanda várias concessões, como a Globo no Brasil, que mandava no futebol porque só ele transmitia e no canal fechado. O grupo Clarin também achava que era o rei da cocada preta. Eu tenho otimismo. A Globo não é eterna. A Globo tem muita coisa bem feita, tem produtos de alta qualidade, não estou criticando isso, mas um poder desse tamanho. Isso é um Leviatã, um perigo para a democracia. A própria Globo admitiu que apoiou o golpe. Se estivéssemos em um debate mais avançado, a Globo seria convocada para a Comissão Nacional da Verdade. Ela não é imbatível e isso tem a ver com pressão popular, com governos que se comprometam com avanços na democracia, que não fiquem reféns desses impérios. Isso também tem a ver com mudanças técnicas. Eu sou pessimista com o diagnóstico, mas otimista com a possibilidade da mudança.


- Como se pode imaginar uma mídia democrática no Brasil?

Uma mídia onde se tenha milhares de rádios comunitárias, pessoas falando com suas comunidades, prestando serviços, ajudando na educação. Que essas rádios não sejam perseguidas pela Anatel, pela Polícia Federal, ao contrário, que elas recebam apoio, pois elas não podem nem ter publicidade. Isso é democratização da mídia no Brasil. É ter TVs comunitárias, que foi uma conquista na discussão da TV a cabo, é pensar que estamos caminhando para a digitalização. Essas TVs comunitárias têm que vir para a TV aberta e ter maior presença na sociedade. Democratização da mídia é você ter os poderes públicos estimulando a diversidade. A publicidade oficial não pode ir pras mesmas famílias, mas para incentivar jornais de jovens. É você investir mais em internet de banda larga de qualidade, para produzir conteúdo. O brasileiro é muito criativo, irreverente, alegre, um povo de muita capacidade. Temos que produzir mais conteúdo. Temos muitos jovens que são brilhantes, que são artistas, intelectuais orgânicos, e essa turma tem que ser incentivada a produzir. Democratizar a comunicação é ter mais vozes falando.


De Salvador,
Erikson Walla

MAIS DETALHES EM:

http://www.vermelho.org.br/ba/noticia.php?id_noticia=235031&id_secao=58